terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Getúlio Vargas: o julgamento de Gregório Fortunato

Gregório Fortunato, ouve de pé, cabisbaixo, e já sem a arrogância com que se mantivera durante o julgamento, a sentença de sua condenação a 25 anos de reclusão

GREGÓRIO FORTUNATO FOI CONDENADO ONTEM À 25 ANOS DE RECLUSÃO
Apresentando boa fisionomia, o “Anjo Negro” sorriu cinicamente quando ouviu a sentença – Terminou o julgamento às 5 horas.
Rio, 12 – (Asapress) – Era precisamente 4 horas da madrugada de hoje quando o presidente do 1º Tribunal do Júri, dr. Souza Neto, suspendeu os trabalhos do julgamento de Gregório Fortunato, conduzindo os jurados até a sala secreta para que fosse dado o seu “veredictum”. 55 minutos depois, iniciava o presidente do Tribunal a leitura da sentença, que foi ouvida pela grande assistência em meio à intensa expectativa.

Gregório Fortunato havia sido condenado à 25 anos de reclusão, sendo a pena assim distribuída: 11 anos pela participação no homicídio do major Rubens Florentino Vaz; 12 anos pela tentativa de homicídio contra Carlos Lacerda, e dois anos por lesão corporal ao guarda municipal Sálvio Romeiro.

O “Anjo Negro”, aparentando boa fisionomia, sorriu cinicamente quando ouviu a sentença, após o que apertou a mão do seu advogado, dr. Romeiro Neto, que teve uma defesa brilhante na defesa do principal acusado do crime da rua dos Toneleros.

O advogado Romeiro Neto, ao terminar sua oração, foi aplaudido por grande parte da assistência pela maneira como se conduziu e como situou o crime da rua dos Toneleros. Terminou pedindo para seu constituinte a pena somente por tentativa de homicídio contra o jornalista Carlos Lacerda, isentando-o de culpa na morte do major Rubens Vaz e no ferimento do guarda municipal Sálvio Romeiro. Entretanto, o corpo de jurados houve por bem classificar o réu como participante dos três crimes que condenaram Alcindo e Climério a 33 anos de prisão, apenas com uma diferença de 8 anos para menos.

ESPERADA UMA REAÇÃO DO GAL. MENDES DE MORAIS
Rio, 12 – (Asapress) – Os círculos políticos locais estão com sua atenção voltada para a parte do depoimento de Gregório Fortunato em que o general Ângelo Mendes de Morais e o falecido deputado Euvaldo Lodi foram fortemente acusados como principais mandantes do crime da rua dos Toneleros.

Disse Gregório que foi procurado pelo general Mendes de Morais, em Petrópolis, para que fizesse um “serviço” em Carlos Lacerda, pois ele precisava “calar a boca”. Disse mais Gregório que, a princípio, recusara a empreitada, porém, dada a insistência do general aceitou-a, tendo convidado para auxiliá-lo Climério Euribes de Almeira, que, por sua vez, contratou Alcino João do Nascimento.

Desse modo, espera-se, como é natural, uma reação do ex-prefeito carioca, que procurará se defender da acusação que lhe foi imputada pelo “Anjo Negro” do Catete perante um público numeroso e através de quase todas as emissoras do Brasil.

Assim como Mendes de Morais, também a família do extinto deputado Euvaldo Lodi deverá pronunciar-se sobre a declaração de Gregório.

SERÁ PEDIDA A ANULAÇÃO DO JULGAMENTO
Rio, 12 (Asapress) – O sr. Romeiro Neto, que, juntamente com o sr. Carlos de Araújo Lima, funcionou, no Tribunal do Júri, na defesa de Gregório Fortunato, declarou esta manhã a reportagem que vai pedir a anulação do julgamento. Eis, textualmente, o que nos disse s.s: “A tese de defesa foi vitoriosa no Tribunal do Júri, porquanto os jurados reconheceram o excesso de mandato relativo à morte do major Rubens Vaz. Entretanto, dada a redação do quesito referente a agravante da paga, o Júri reconheceu-a por 4 votos, na primeira série alusiva ao atentado contra o jornalista Carlos Lacerda. Apesar disso, o juiz Souza Neto exasperou com o exagero da pena aplicada, que não poderia ultrapassar, na sua totalidade a 20 anos de reclusão.

A deficiência da redação dos quesitos, contra o qual protestei, dará lugar à anulação do julgamento; dentro do prazo legal, interporei, por isso o competente recurso da decisão do Júri e estou certo de que levarei Gregório Fortunato a novo julgamento perante aquele Tribunal.

MANIFESTA-SE CARLOS LACERDA SOBRE A PENA
Rio, 12 (Asapress) – O deputado Carlos Lacerda, falando à reportagem a respeito do resultado do Júri que nesta madrugada condenou Gregório Fortunato a 25 anos de prisão, como autor intelectual do atentado da rua Toneleros, declarou: “Não tenho comentário a fazer, senão dizer o seguinte: o Júri tem demonstrado a sua prudência e firmeza. Há um fato demonstrativo, que decorre da lição que o povo está recebendo: as punições vão diminuindo à medida que sobem os escalões. Gregório menos que Alcino, e os superiores a Gregório, nada”.

“HABEAS CORPUS” PARA ALCINO
Rio, 12 (Especial) – O advogado Humberto Teles impetrou ordem de “habeas corpus” a favor de João Alcino do Nascimento.

Alega o impetrante a incompetência do Tribunal do Júri para julgar os crimes cometidos contra a vida, não repousando no simples evento da morte, pois pode haver esta e o fato de fugir á competência do Tribunal Popular. Argumenta que o “atentado da rua dos Toneleros, nada mais foi que um episódio da luta política. O deputado Carlos Lacerda, na época, desenvolveu campanha contra o governo Vargas, liderando um agrupamento político partidário, com violenta linguagem ao mesmo tempo em que tramava a própria destruição das instituições, arrastando a Nação à agitação e ao desatino, com risco de uma sangrenta convulsão social”. Diz que foi um crime político, negá-lo seria negar a sua própria evidência.

O promotor Araújo Jorge, a propósito do pedido de “habeas corpus” levado ao Tribunal de Justiça pelo advogado de Alcino, comentou: “Esta é uma atitude infantil do advogado, diante dos próprios fundamentos dos autos, pois crime é aquilo que não está escrito na lei penal”.

Sabedor do episódio, o sr. Humberto Teles, patrono de Alcino, declarou numa roda no júri: “O promotor é um tolo; o assunto é jurídico e não está ao seu alcance”.

Fonte: Jornal A Tribuna – 13 de outubro, 1956


Postado por Paulo Renato Alves

24 de fevereiro, 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Revolução Cubana: A invasão da baía dos Porcos

Baía dos Porcos

FIDEL CASTRO ANUNCIA O EXTERMÍNIO DAS FORÇAS REBELDES E PREVÊ AMPLA REPERCUSSÃO DO FEITO NA AMÉRICA LATINA
Os anticastristas contradizem o governo cubano afirmando que a luta continuará na Serra de Escambray – O comunicado – Alusão à “Doutrina Fidelista” e ataques aos Estados Unidos – O Conselho Revolucionário Cubano admite que houve “perdas trágicas” – Será reiniciada a ação dos guerrilheiros – Emissões sucessivas da “Rádio de Escambray” – Jubilo à União Soviética.

Paris – 20 (AFP) – Os invasores de Cuba foram totalmente exterminados, segundo um comunicado oficial assinado por Fidel Castro e publicado às 2h30 da madrugada de hoje, informa um despacho em Havana, da agência “Prensa Latina”, cuja transmissão foi captada em Paris.

Paris – 20 (AFP) – O governo de Fidel Castro anunciou oficialmente que exterminou as forças rebeldes que invadiram o território cubano. A notícia foi captada em Paris, na emissão da agência cubana “Prensa Livre”.

Um comunicado oficial assinado por Fidel Castro foi publicado às 2h30 da madrugada de hoje, anunciou a referida agência.

O comunicado informou que “durante a tarde de ontem, os últimos restos do exército de invasão foram cercados na praia de Giron e alijados para o mar”.

“Uma parte dos mercenários, diz o comunicado, tentou reembarcar com destino ao estrangeiro, mas a força aérea rebelde (castrista) afundou todas as suas barcaças”.

“Alguns dos invasores, acrescenta, internaram-se numa região pantanosa, onde não tem nenhuma possibilidade de escapar”.

“Os invasores abandonaram grande quantidade de armamento e veículos, inclusive vários tanques “Sherman”, todos de fabricação norte-americana”, conclui o comunicado difundido pela agência “Prensa Latina”.

Alijados para o mar
Miami (Flórida), 20 – (AFP) – A rádio cubana anunciou a “vitória total das forças castristas sobre as tropas que invadiram Cuba há 72 horas”, numa emissão que foi captada pela manhã em Miami.

Segundo um comunicado assinado por Fidel Castro, que foi lido pela rádio Cubana, as forças governamentais capturaram várias toneladas de armamentos de fabricação norte-americana, inclusive tanques “Sherman”.

O comunicado precisou que as últimas posições dos anti-castristas foram destruídas ontem, às 23h30, GMT. Em seguida os invasores foram alijados para o mar e tentaram fugir, mas suas barcaças foram destruídas pela aviação castristas.

O comunicado
Paris – 20 (AFP) – “Os invasores foram totalmente exterminados”. Este comunicado oficial de Fidel Castro foi publicado nas primeiras horas da manhã.

“As últimas forças rebeldes – segundo o comunicado – foram confinadas, ontem, na praia de Giron e rechaçadas para o mar. Alguns dos homens fugiram para uma zona pantanosa da qual não poderão escapar. Os invasores abandonaram grande quantidade de armamento, numerosos tanques “Sherman” e outros veículos de fabricação norte-americana”. O comunicado acrescenta que “as tropas mercenárias de invasores passaram menos de 72 horas em território cubano e que suas últimas posições foram destruídas hoje, quinta-feira, às 3 horas (hora francesa), (23 horas, da quarta-feira, em São Paulo).

Esta derrota das forças anti-castristas que desembarcaram segunda-feira terá uma repercussão no mundo todo e, particularmente, na América Latina.

Com efeito, todos os países latino-americanos acompanharam com um interesse apaixonado a evolução deste assunto, que consideram no fundo, como uma prova decisiva.

A doutrina fidelista, que sai reforçada desta prova, representa, aos olhos de bom número de latino-americanos, uma experiência a sacudir a tutela norte-americana, embora tenha sido cometida com excessos.

Por outro lado, manifestações pro-castristas se desenrolaram na maioria dos países da América Latina. Às vezes, elementos pró-castristas enfrentaram outros anti-castristas, o que degenerou em contendas, como na Gautemala, onde houve três mortos e treze feridos. Com freqüência as forças policiais precisaram proteger a Embaixada dos Estados Unidos, para onde se dirigiam os manifestantes.

Em Quito, uma bomba de pequena potencia explodiu atrás da Embaixada dos Estados Unidos, provocando alguns danos materiais.

Em Santiago do Chile, vários milhares de simpatizantes castristas sitiaram a Embaixada norte-americana e a polícia teve de utilizar gases lacrimogêneos e jactos de água para dispersá-los.

Em Bogotá, organizaram-se, simultaneamente, duas manifestações: uma pró-castro e outra anticomunista. As forças policiais, apoiadas por tanques e carros blindados evitaram o choque dos grupos rivais.

No México, numerosas manifestações de estudantes a favor de Fidel Castro desenrolaram-se sem incidentes.

No Brasil, várias personalidades, entre eles o sociólogo Josué de Castro, foram recebidas pelo embaixador dos Estados Unidos, ao qual entregaram uma mensagem ao presidente Kennedy, expressando sua solidariedade para com o líder cubano e pedindo que os Estados Unidos deixassem de apoiar os contra-revolucionários.

Em Washington, existe inquietação pelo curso da situação e o presidente Kennedy convocou uma reunião de gabinete, mas o porta-voz do Governo negou-se a dizer se a reunião está diretamente relacionada com a situação de Cuba.

Perdas trágicas
Nova York, 20 – (AFP) – “Houve perdas trágicas durante o dia de hoje”, admite um comunicado publicado esta noite pelo conselho revolucionário cubano. O mesmo documento especifica que os recentes desembarques, foram erroneamente qualificados de invasões, mas que, na realidade, eram desembarques de material e de reforços para os patriotas que combatem em Cuba.

Pessimismo
Miami, 20 (AFP) – Os comandos anti-castristas que lutam contra as tropas de Fidel Castro desde segunda-feira passada pela manhã parecem que na noite de ontem realizavam os últimos combates antes do fim de sua epopéia.

O pessimismo que reinava anteontem entre os exilados cubanos de Miami foi dissipado na manhã de ontem pelo anúncio do estabelecimento do contato entre os elementos desembarcados na baía de Cochinos e os anti-castristas da Serra de Escambray. Além disso, o contato pela rádio entre as unidades desembarcadas e as organizações de coordenação do continente americano foi restabelecido depois de 36 horas de silêncio na tarde de ontem. Porém, parece que de todas as formas o fim da luta não está longe, pois segundo o porta-vozes oficiais dos exilados cubanos em Miami, a situação piorou durante o dia de hoje para os invasores na província de Matanzas, onde desde o começo do desembarque se desenvolveram os combates mais violentos.

Os outros desembarques executados em diversos pontos da ilha foram evidentemente operações de despistamento e, inclusive, se os referidos porta-vozes anunciam que a situação não é boa em Oriente e Pinar Del Rio parece ser que somente o fazem para se consolar.

Por parte dos anticastristas, não se nega que os comandos desembarcados se encontram submetidos a uma pressão muito potente efetuadas por milícias e tropas governamentais com o apoio de tanques e aviões de fabricação soviética.

Navios na costa
Pensa-se geralmente que certos grupos desembarcados poderiam reembarcar nos navios que os trouxeram, alguns dos quais se encontram ainda diante da costa cubana. Também não é impossível que numerosos dos desembarcados se unam aos maquis que há vários meses combatem em Escambray, no Centro de Cuba, e em Sierra Maestra.

Entretanto não se sabe se a reserva de armas e munições que foram desembarcadas puderam chegar até os guerrilheiros ou se caíram nas mãos dos castristas. Em todo o caso os milicanos castristas permaneceram leais ao primeiro-ministro cubano e a população não apoiou o movimentos segundo parece.

Em Escambray
Miami (Flórida), 20 – (AFP) – O grosso das forças anti-castristas não interveio nas últimas operações militares em Cuba, afirma-se esta manhã nos meios dos exilados cubanos em Miami. “Não somos tão loucos para comprometer todas nossas forças nestes combates”, declarou à agência “France Presse” uma personalidade cubana.

Simultaneamente, a emissora anti-castrista “Rádio Escambray”, que prossegue incansavelmente suas emissões, depois de informar que a emissora se encontra na serra, em meio das forças contrárias a Fidel Castro, declarou que novos elementos se unem sem cessar aos guerrilheiros.

Os meios exilados cubanos são extremamente prudentes no que se refere ao local onde se encontra atualmente Miro Cardona e os restantes dos membros do Conselho Revolucionário Cubano, que, chegado o momento, deve transformar-se, em solo cubano, em governo democrático provisório.

Não se confirmou oficialmente a notícia publicada por uma cadeia de jornais norte-americanos de que o Conselho Revolucionário já se encontra em território cubano.

Júbilo na União Soviética
Moscou, 20 – (AFP) – “Os soviéticos manifestam suas alegrias e mandas felicitações a seus amigos” – anuncia a Rádio de Moscou, acrescentando de que todas as regiões da URSS chegam telegramas e chamadas telefônicas à rádio, solicitando de que enviem mensagens de saudação aos castristas cubanos”.

“O telefone não deixa de soar em nossa redação” – declarou a Rádio de Moscou que concluiu, resumindo assim as mensagens recebidas das fábricas dos “kolkoses” e dos estabelecimentos científicos: “Os soviéticos saúdam o povo de Cuba depois da notável vitória obtida contra as forças de reação, os soviéticos não duvidaram um só momento de que o imperialismo seria derrotado. É impossível vencer a revolução”.

Posição do Iraque
Londres, 20 (AFP) – “O Iraque apóia o povo cubano e denuncia a intervenção armada em Cuba”, declarou esta noite um porta-voz do governo iraquiano.

Posição da Grã-Bretanha
Londres, 20 (AFP) – A Grã-Bretanha é partidária da aprovação da ONU da moção argentina referente a Cuba, especialmente porque menciona a organização dos Estados Americanos, declarou hoje nos Comuns o ministro britânico do Interior.

Asilo do Cardeal
Buenos Aires, 20 (AFP) – Ao que parece, o cardeal Arteaga e dois bispos, cujos nomes não foram revelados, solicitaram asilo na Embaixada Argentina em Havana, soube-se extra-oficialmente em Buenos Aires. A mesma versão explica que a Igreja Católica cubana solicitou também a referida Embaixada o resguardo de documentos e valores da Igreja.

Apesar de que na Chancelaria argentina não se tenha dado qualquer informação a respeito, sabe-se que a referida comunicação lhe foi transmitida pelo embaixador argentino junto ao governo de Cuba, Júlio Amoedo.

Fonte Jornal A Tribuna - 21 de abril, 1961



Postado em 21 de fevereiro


Paulo Renato Alves

Revolução Cubana - Protesto na ONU

RAUL ROA
Raul Roa responsabiliza os EE.UU pelo ataque a Cuba
Nações Unidas, 15 (A.F.P.) - A responsabilidade pelos “atos de vandalismo” cometidos hoje contra Cuba, recai plenamente contra os Estados Unidos – declarou hoje o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Raul Roa. O chanceler cubano falava perante a Comissão Política da ONU que começou às 20 horas (GMT) o exame da queixa cubana contra os Estados Unidos, em conseqüência dos bombardeios que sofreram hoje três pontos diferentes do território cubano.
Acrescentou o ministro que estes ataques de “covarde pirataria internacional” foram realizados pelos Estados Unidos com a ajuda de seus “satélites da América Latina” e dos “traidores cubanos emigrados”.

“Acuso os EE.UU.”
“Acuso os Estados Unidos ante a Comissão Política e a opinião pública mundial – disse – de recorrer à força para resolver suas divergências com um país membro das Nações Unidas”.

Raul Roa fez a leitura da declaração de Fidel Castro sobre os bombardeios desta manhã, declaração que decreta a mobilização geral e dá instruções à delegação cubana na ONU para responsabilizar diretamente os Estados Unidos por estes atos de agressão.

Assinalou que o primeiro ministro cubano lhe havia informado que os bombardeios haviam causado 7 mortes e que “peças de convicção” do ataque foram apresentadas ao corpo diplomático de Havana.

Manchas Solares
Raul Roa salientou também, que os ataques realizados na manhã de hoje, haviam coincidido com manchas solares que impediam as comunicações radiotelefônicas.

Destacou que tal coincidência era significativa pelo cuidado que põem os Serviços Secretos e os Serviços Metereológicos norte-americanos na preparação dos ataques.

Roa aduziu também como prova de cumplicidade dos Estados Unidos, o fato de que um dos chefes dos cubanos emigrados declarou em Nova York, que havia estado em contato com os “pilotos criminosos”.

Fala Stevenson
Depois dessa grave declaração, Adlai Stevenson tomou a palavra em nome dos Estados Unidos, para negar energicamente as acusações do ministro das Relações Exteriores de Cuba “que – disse – são totalmente infundadas”. Mostrou à Comissão uma fotografia de um dos bombardeiros na qual se viam claramente as insígnias da aviação cubana e salientou que os pilotos dos dois aparelhos que aterrissaram na América do Norte pertenciam à aviação cubana.

Recordou Stevenson que o governo dos Estados Unidos proclamou como política oficial sua intenção formal de não intervir militarmente em Cuba.

Em seguida, interveio o delegado da Guatemala para desmentir que as tropas destinadas á invasão de Cuba estivessem recebendo instruções na Guatemala.

Reafirmação
Raul Roa voltou novamente a falar para sustentar que as recentes declarações do presidente Kennedy de que a América do Norte não intervirá nos assuntos de Cuba “não tem nenhuma garantia” e que constitui em realidade “uma cortina de fumaça” atrás da qual os Estados Unidos preparam cabeças de ponte para uma agressão contra Cuba.

O ministro cubano fez uma crítica pessoal de Stevenson, na qual disse que havia convertido em um homem muito diferente do que era antes do advento do presidente Kennedy.

Apoio soviético
Valerian Zorin falou em seguida, em nome da URRS para destacar que os preparativos da agressão e da subversão contra o governo cubano foram feitos em solo dos Estados Unidos com pleno conhecimento das autoridades norte-americanas e que, depois desses preparativos, “as operações militares começaram agora de maneira efetiva”.

“Se a política dos Estados Unidos fosse verdadeiramente contrária à intervenção em Cuba – frisou – teria bastado uma palavra do presidente Kennedy aos contra-revolucionários cubanos, “essa sua escória prestes a vender seu país”, para que se detivessem em seu começo os preparativos de agressão”.

Ressaltou Zorin que “Cuba não está sozinha” e que a “URSS está pronta a prestar-lhe ajuda”.
Afirmou que as Nações Unidas “não devem se contentar com as declarações de Adlai Stevenson, mas que podem e devem adotar medidas para deter, ainda que seja no último minuto, a agressão contra Cuba”.

Depois de uma declaração do delegado do Marrocos, dr. El Mendi Benabud, que salientou a necessidade da unidade e da boa imediações da sede das Nações Unidas e são mantidos à disposição pela polícia montada. Os cubanos levam cartazes onde se lê: “Os Estados Unidos bombardearam nossas cidades” e “quando soldados norte-americanos vão morrer pela “United Fruit Company?”

Os guardas da ONU mantém uma rigorosa vigilância para evitar que alguns manifestantes penetrem na sala da comissão política, misturando-se com o público, vizinhança para preservação da paz e do respeito dos princípios das Nações Unidas, os debates sobre a queixa cubana foram adiados até a próxima segunda-feira, às 15h30 (GMT).

Fonte: Jornal A Tribuna - 16 de abril, 1961.


Postado por Paulo Renato Alves

21 de fevereiro, 2009.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A morte de Getúlio Vargas


Manifestação em São Paulo, após a informação da morte de Getúlio Vargas
Fonte A Tribuna

DEZENOVE DIAS QUE ABALARAM O BRASIL
Rio, 24 – (Especial) – Foram dezenove dias que abalaram o Brasil, criando um clima tremendamente perigoso. E quando o povo brasileiro começava a respirar aliviado, após 48 horas dramáticas, o gesto final do sr. Getúlio Vargas veio novamente sacudi-lo eemocioná-lo terrivelmente.

Da madrugada do dia 5, quando tombou sem vida o major Rubens Florentino Vaz, à madrugada do dia 24, quando se encontrou a solução pacífica e constitucional para a crise político-militar que se prolongava e cada vez mais se agravava, a Nação viveu dias de angustiosa expectativa, temerosa de que a intransigência de uma e o faccionismo de outros se sobrepusessem, ao bom senso e ao patriotismo dos responsáveis pela situação.

O próprio ritmo das atividades econômicas se perturbou, agravando, ainda mais, as dificuldades que vinham assustando o país.

O atentado da rua Toneleros revestiu-se, desde o primeiro instante, de feição nitidamente política. O visado era um jornalista de oposição, excessivo algumas vezes no tom de sua campanha, mas imbuído de inegável objetivo renovador e que, durante meses, vinha zurzindo, com o látego da sua crítica implacável, pessoas da família presidencial e altas figuras da administração. Quis o destino que tombasse morto o major Vaz, herói da FAB, homem bom e homem puro, alheio às lutas políticas, embora solidário, pelo dever do patriotismo, com a luta saneadora desenvolvida pelo diretor de “Tribuna da Imprensa”.

A quem poderia interessar o atentado?

A quem poderia lucrar o silêncio do sr. Carlos Lacerda?

Desde o primeiro instante voltaram-se as atenções para algumas figuras da intimidade do sr. Getúlio Vargas.

Apesar disso, não se chegava a admitir que o crime tivesse sido tramado dentro do próprio Catete e que entre os seus próprios executores se contassem elementos da guarda pessoal do presidente da República.

A morte do major Vaz, no entanto, levantara uma impetuosa onda de revolta entre os seus companheiros de farda.

O Governo, fraco e sem autoridade, cedeu, entregando a orientação das diligências a uma comissão de oficiais da FAB. Suprindo com entusiasmo e dedicação o que lhe faltava em técnica policial, esse grupo de oficiais, auxiliado por centenas de outros que espontaneamente ofereceram a sua colaboração, conseguiu rapidamente descobrir a trama do crime, desde o início do seu preparo à sua execução, pretendendo todos os implicados diretos, e conhecer indícios veementes dos mandantes.

E, à medida que os fatos iam sendo apurados, toda uma torrente de acontecimentos, os mais graves, estarreciam a opinião pública.

A crise política agravou-se consideravelmente à medida as intimidades do Catete eram postas a olho nu; que a influência do famigerado Gregório Fortunato se estadeava para espanto geral; que a Nação tomava conhecimento das curvaturas de certos áulicos ao guarda-costas todo poderoso.

De toda a parte, das colunas da imprensa, da Tribuna da Câmara e do Senado, através do pronunciamento da vida pública, a opinião pública se manifestou de maneira inequívoca pela renúncia do presidente, solução constitucional, que nenhum abalo traria ao funcionamento normal das instituições.

O sr. Getúlio Vargas, porém, manifestou-se irredutível, já, certamente, com a trágica resolução de matar-se, formalizada em seu espírito. Não renunciaria, estava disposto a cumprir o mandato popular que lhe fora outorgado a 3 de outubro de 1950.

Todas as fórmulas que lhe foram sugeridas não encontraram sua acolhida. Enquanto isso, crescia a tensão nas Classes Armadas e se tornava viável, papável o perigo da indisciplina, pela sofreguidão dos elementos jovens, desejosos de uma solução imediata.

O sr. Getúlio Vargas se apegava à aparência do Poder, intransigente na defesa de um princípio de autoridade que lhe escapara desde o dia em que a Polícia fora posta de lado uma função da sua exclusiva competência; desde o momento em que os responsáveis pelo atentado foram buscados dentro do próprio Catete.

O sr. Getúlio Vargas, de ordinário tão lúcido e perspicaz, não quis ver a situação que, no entanto, a todos se apresentava meridianamente clara.

Crendo-se vítima da sanha dos seus adversários, quando foi muito mais de seus próprios erros e dos desmandos de sua camarilha, o presidente da República negou-se até o último instante a aceitar a solução indicada pelos acontecimentos e aconselhada pelos elementos mais responsáveis. Veio, afinal, depois de algumas horas de intensa dramaticidade, o licenciamento do chefe do Governo, solução aceita pelos chefes militares e, três ou quatro horas depois, o gesto trágico de s. excia., inteiramente inesperado e em contradição flagrante com o seu temperamento frio, com a sua comprovada capacidade de dominar as emoções.

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No transcurso desses trágicos 19 dias, que abalaram o Brasil, cumpre destacar o papel patriótico das Forças Armadas, que através de seus chefes naturais, tudo fizeram em prol de uma solução legal, dentro do estrito respeito à Constituição.

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Nas suas sucessivas reuniões, nos seus repetidos comunicados, os chefes do Exército, da Aeronáutica, e da Marinha deixaram sempre patente o firme propósito de levar até o fim as investigações, de punir os culpados, fosse qual fosse a sua categoria, e de ao mesmo tempo, resguardar o regime legal. E cumpriram a sua promessa.

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A respeito do gesto trágico do sr. Getúlio Vargas, é cedo ainda para um pronunciamento. O certo é que seu suicídio traumatizou terrivelmente a opinião pública, envolvendo no mesmo abalo amigos e adversários.

Fonte: Jornal A Tribuna - 25 de agosto, 1954.













Postado por Paulo Renato Alves









20 de fevereiro, 2009.

A criação do Estado de Israel


A Bandeira de Israel foi estabelecida como símbolo em 28 de outubro, de 1948.

PROCLAMADO O ESTADO JUDAICO NA PALESTINA

David Ben-Gurion tornou-se ontem, o chefe do novo governo que, como primeira medida revogou o Livro Branco Britânico de 1939, limitando a imigração de judeus á Terra Santa – Os Estados Unidos reconheceram o Estado de Israel – Ferozes combates entre judeus e árabes irromperam ao sul de Jerusalém – As tropas egípcias receberam ordens para invadir a Palestina.
Tel-Aviv, 14 (R) - Foi proclamado o Estado Judeu na Palestina.

DAVID BEN-GURION É O CHEFE DO NOVO ESTADO JUDEU
Tel-Aviv, 14 (R) – o SR. David Bem-Gurion tornou-se, hoje, o chefe do governo do novo Estado Judeu, hoje proclamado na Palestina, e que terá o nome de “Estado de Israel”.
A proclamação do novo Estado semita foi feito no último dia de vigência do mandato britânico sobre a Palestina.

TEXTO DA PROCLAMAÇÃO
Tel-Aviv, 14 – (A.F.P.) – É o seguinte o texto da proclamação do Conselho Nacional, sobre o estabelecimento do Estado Judeu da Palestina:

“Nós membros do Conselho Nacional, representando o povo judaico da Palestina e o movimento sionista mundial, reunidos em assembléia solene, hoje, data do fim do mandato britânico, proclamamos o Estado Judaico da Palestina, sob o nome de Estado de Israel.

A proclamação do Estado Judaico é feito em virtude dos direitos naturais e históricos do povo judeu e da resolução da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, datada de 29 de novembro, de 1947.

Declaramos que, depois da noite de hoje e até que os organismos constitucionais, cuja eleição deverá ser efetuada antes de outubro de 1948, entrem em função, o Conselho Nacional agirá como Assembléia Provisória do Estado, estando a partir de hoje a Administração Nacional assegurado pelo governo provisório judaico do Estado de Israel.

O Estado de Israel está aberto á imigração dos judeus dispersados em todos os países. Ele garantirá o desenvolvimento do país, para o benefício de todos os seus habitantes.

O regime do novo Estado será fundado sobre a liberdade, a justiça e a paz, de acordo com o ensinamento dos profetas judeus. Nele, os cidadãos desfrutaram de todos os direitos, sem distinção de raça, origem ou sexo.

A salvaguarda dos lugares santos e santuários de todas as religiões será garantida conforme a Carta das Nações Unidas. O Estado de Israel está pronta para colaborar com a O.N.U. na aplicação da resolução de novembro último, e para a realização da união econômica de toda a Palestina.

Pedimos às Nações Unidas que auxiliem o Estado de Israel a obter seu lugar na família de todas as nações e povos. Precisamente no momento em que a sua agressão se desenvolve, fazemos um apelo aos árabes, em nome do Estado de Israel, para que voltem ao caminho da paz, garantindo-lhes que terão direitos iguais aos dos cidadãos judeus e que serão representados em todos os corpos constituídos. Oferecemos, assim, a paz de todos os Estados vizinhos.

Seis milhões de judeus foram perseguidos, exterminados e dispersados pelos nazistas e, em nome do novo Estado, reclamamos para os sobreviventes o direito de se virem se instalar no nosso país, ao qual permaneceram fielmente ligados, depois de milhares de anos de um longo e amargurado exílio.

Diante de Deus, todo poderoso, juramos sobre esta declaração, feita no dia de hoje, na cidade de Tel-Aviv, como mandatários do Estado de Israel”.

Fonte: Jornal A Tribuna - 15 de maio, 1948

Postado em 20 de fevereiro, 2009.

Paulo Renato Alves

A.L. - Nicarágua - A morte de Sandino

Vê-se na fotografia acima, o general Sandino (à direita), sentado ao lado do presidente da Nicarágua, Dr. Juan B. Sacasa, o qual, por ocasião da terminação de um período de guerrilhas que perdurou por cinco ano, deu garantias de vida ao célebre caudilho e seus partidários.
Foto e Texto: Jornal A Tribuna

O REVOLUCIONÁRIO SANDINO FOI MORTO

JUNTAMENTE COM O GENERAL NICARAGUENSE, FORAM ABATIDOS UM SEU IRMÃO E DOIS AMIGOS
A notícia foi comunicada à Associated Press
Nova York – 22 – Comunicam de Manágua a Associated Press que o revolucionário Sandino foi morto, nas proximidades daquela capital, pela Guarda Nacional, juntamente com seu irmão e seus dois amigos. – H.

O presidente da Nicarágua reprova a morte de Sandino
Manágua – 22 – O revolucionário Sandino, seu irmão e dois amigos , foram mortos por membros da Guarda Nacional, perto desta Capital. A este propósito, o presidente fez publicar um comunicado, em que declara, que reprova a morte do General, contrariamente às suas instruções, porque tinha garantido a vida de Sandino e seus partidários durante a sua permanência em Manágua.

O presidente ordenou a abertura imediata de um inquérito para apurar as responsabilidades e reuniu o Congresso, para lhe pedir a concessão de poderes necessários para manter a ordem.
Foi estabelecida a censura. H.

Alguns antecedentes sobre o crime – Os acordos concluídos entre o general Sandino e o presidente Sacasa.
Manágua 22 – Noticia-se que o general Sandino foi morto, no momento em que se encontrava em companhia do seu irmão Sócrates e do general Estrada.

Sandino viera, na semana passada, para combinar definitivamente com o governo as condições de desarmamento de seus partidários.

Acredita-se, geralmente, que uma declaração recentemente feita à imprensa pelo general sobre a inconstitucionalidade da Guarda Nacional, tenha sido a origem do atentado a que sucumbiu.
De acordo com os termos dos acordos ultimamente concluídos entre o presidente Sacasa e Sandino, este era autorizado a guardar sem partidários, durante um ano, para explorar uma propriedade cooperativa no rio Coco.

À noite de ontem, os jornais publicaram uma carta, em que o general Sandino pedia ao presidente da República que fornecesse garantias a si próprio e aos seus homens, bem como perguntava que providências o governo contava tomar para dar estatuto constitucional à Guarda Nacional.

O sr. Sacasa respondera que a Guarda seria reorganizada de acordo com os preceitos constitucionais dentro de 6 meses, e que um delegado seria enviado ao departamento do Norte para proteger a vida de Sandino e dos seus partidários, ao mesmo tempo arrecadar as armas destes.

Reinava de longa data o ódio entre Sandino e os guardas nacionais que haviam sido instruídos pelos fuzileiros navais norte-americanos e se haviam distinguido na guerra impiedosa movida pelos rebeldes.

É interessante recordar que Sandino estivera a princípio ligado por vivos laços de amizade ao presidente Sacasa. Ambos haviam organizado o levante de 1927 e 1928 contra o poder despótico do presidente Alfonso Diaz e, derrubando este, colocaram no poder o presidente Mucada, que os Estados Unidos se recusaram a reconhecer visto se tratar de um governo revolucionário.

Posteriormente a administração de Washington, realizadas as eleições protegidas pelos marinheiros norte-americanos e escolhido para presidente o mesmo Mucada, havia reconhecido o governo nicaragüense.

Sandino, entretanto, sob o regime de Mucada e Sacasa, que sucedeu a este, continuou à frente de seus partidários a lutar contra as tropas estrangeiras que ocupavam o seu país.

Perseguidos pelos marinheiros norte-americanos e pela Guarda Nacional, o general revolucionário acabara por aceitar uma rendição honrosa, a qual se resignara, segundo se afirma, mais vencido pelo pesar da morte da sua mulher do que pela força.

Sandino, extremamente orgulhoso do seu sangue indiano, era considerado uma figura típica de herói em vários países da América Latina, onde o seu nome servia de bandeira a todas as demonstrações contra os Estados Unidos.

Assim que foi conhecida a notícia de sua morte, o governo resolvera aplicar a censura em todo o país.

Foi publicado ao mesmo tempo comunicado oficial que declara que o presidente Sacasa ao contrário das notícias correntes havia prometido garantir a vida de Sandino durante a sua permanência em Manágua.

Confirma-se, ademais, que Sandino assinara com o presidente Sacasa a declaração pela qual reconhecia este o direito de reorganizar a Guarda Nacional e aceitava depor as armas desde que fosse resolvida esta reorganização. – H.

O massacre de Sandino e seus companheiros – Também o pai do caudilho foi morto.
Manágua – 22 – Anuncia-se que Sandino e seus companheiros foram massacrados, porque se recusaram a receber à intimação de se renderem que lhes faziam os guardas nacionais. O pai de Sandino foi igualmente morto. – H.

Fonte: Jornal A Tribuna - 23 de fevereiro, 1934.


Postado por Paulo Renato Alves

20 de fevereiro, 2009.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

2ª Guerra Mundial - A Morte de Mussolini

Várias são as versões sobre a morte de Mussolini. Na versão oficial sobre sua morte, executado por um companheiro de partido quando fugia com as forças aliadas, até hoje são questionadas. A neta de Mussolini, Alessandra Mussolini, recentemente se candidatou a uma cadeira no Parlamento Europeu. Pois é....


FUZILADO EM MILÃO O EX-DITADOR ITALIANO MUSSOLINI
Passados pelas armas 17 chefes fascistas, cujos corpos foram expostos em praça pública. Executados pelos patriotas italianos diversos outros líderes em Varese – Foram feitas mais de três mil prisões – Suicidou-se o general Renato Ricci – A viúva de Benito Mussolini e seus dois filhos menores foram presos.
Roma, 30 (R) – O ex-ditador italiano, Benito Mussolini, foi executado em Milão – informa a rádio local.

Roma, 30 (R) – Anuncia a rádio de Milão que se patriotas italianos fizeram justiças por suas próprias mãos, executando Mussolini e outros líderes fascistas naquela cidade.

Roma, 30 (R) – A rádio de Milão informa que os corpos de Mussolini e de outros altos líderes fascistas, executados pelos patriotas, estão expostos na praça de Loreto naquela cidade.

Roma, 30 (R) – Além de Mussolini foram fuzilados em Milão pelos patriotas italianos, Alessandro Pavolini, secretário do Partido Republicano Fascista, e a amante do “duce”, Clara Petacci.

Roma, 30 (R) – O ditador todo-poderoso da Itália de outros tempos, Benito Mussolini, é hoje um simples cadáver exposto à irritação popular ao que informam em Milão, através da emissora local.

Essa notícia confirma que o corpo de Mussolini, logo após a execução pelos patriotas, foi exposto na praça Loreto.

Os corpos de outros companheiros da sinistra aventura de Mussolini, no regime fascista, foram expostos ao lado de seu chefe e inspirador.

Os cadáveres dos famosos líderes do fascismo constituem um lúgubre espetáculo para os milaneses, mas o júbilo é geral em Milão, porque os patriotas fizeram com que os chefes fascistas retratassem agora todos os seus erros e todos os seus crimes.

Q.G. Aliado na Itália – 30 (R) – Dois correspondentes de guerra britânicos junto ao 5º Exército, que entraram em Milão informam que 17 líderes fascistas haviam sido fuzilados.

Informaram esses correspondentes que viram pessoalmente o corpo de Mussolini, diante do qual desfilavam cidadãos de Milão.

Roma, 30 (R) – A emissora de Milão, controlada por patriotas informou que uma mulher disparou cinco tiros contra o corpo de Benito Mussolini, exposto em Milão, dizendo ao praticar esse gesto: “Cinco tiros, pelos meus cinco filhos assassinados”.

Outras pessoas cuspiram no corpo do ex-“Duce”.

Londres – 30 (R) – Enorme multidão encheu completamente a Plazza Loreto, em Milão, onde se achava em exposição o cadáver de Benito Mussolini, que 23 anos fora ditador da Itália e que conduzira o seu país a mais desastrosa de todas as suas guerras.

Mussolini não estava só. Ao seu lado jaziam os cadáveres de 17 outros fascistas, no mesmo local onde haviam sido fuzilados recentemente 14 patriotas.

Anteriormente, o cadáver do ex-“duce” foi exibido na praça principal da cidade de Como, nas proximidades da fronteira Suiça – segundo revelou a rádio de Berna.

Telegrafando de Roma, o corresponde especial da Reuters declarou que à notícia da execução do ditador italiano seguiu-se uma onda de exaltação na capital da Itália, o que tinha reforçado o sentimento italiano de independência.

A notícia da execução – acrescenta o correspondente – seguiu de perto a mensagem do vice-primeiro ministro Togliatti, comunista, de que não havia necessidade de julgamento para os fascistas de alto coturno, além do estabelecimento de sua identidade. “Eles devem pagar com suas vidas”.

O mundo político italiano espera ver se a política de Togliatti, inspirada por Moscou, guiará e controlará o grande movimento popular do norte da Itália.

Fonte: Jornal A Tribuna – 01 de maio, 1945.
Postado por Paulo Renato Alves
20 de fevereiro, 2009.